Queimando neurônio
Comecei minha adolescênia muito tarde mas também terminou muito cedo.
Desde o momento que me vi realmente, percebi minha responsabilidade e a necessidade de ter certo comportamento, nada é fácil, e prefiro assim, qualquer situação é inusitada e traz sempre um gosto de conquista.
Mas sempre vivenciei contos de fadas, não comigo, mas com amigos, família, e assim por diante, sempre me imaginando no lugar ou na situação. Já assisti muito romance, agora parti para dramas densos e sem final feliz, assim me concentro mais no que está passando e não no que estou sentindo.
Senti já três grandes sentimentos, esses diferenciados, cada um conforme o alvo, e me perdi em duas delas, estas que não foram concretas, e a terceira não passou de pensamentos impuros.
Tive uma vez um sério comprometimento, que sumiu, realmente foi ruim, mas não fez m muita diferença, algumas coisas em comum me fizeram ver que não daria certo. Não poderia sustentar sonhos alheios, apenas os meus.
Agora às vezes me pego pensando em situações e em seres que poderiam se aproximar de mim, não negaria nenhuma palavra, seria eu mesmo sem indagações ou esperanças, viveria conforme o andar da carruagem, sem planos, desejos ou qualquer outra palavra pra definir dupla. Gosto da minha idependência e preservo muito outras histórias.
E uso do clichê, da falta de critividade quando se fala de amor, dos versos obtidos com rima fácil. Dos sonetos de Vinicius de Morais que são pau pra toda obra. Me sinto falta, me sinto cheio de histórias, adquiras em livros, de resoluções de problemas de amigos e em relação a mim, não crio espectativas.
Crio espectativas sim, ninguém pode passar em branco na vida, sem ter vivido amores, decepções… É sem função vir e ver a luz sem passar por isso. Ainda tenho sonhos, planos e momentos a serem escritos, por alguém que não conheço.
Enfim, ainda me acredito, evejo em seres a vontade de tentar.

